22/09/2021

Folhas de Notícias LInQUE

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(Re)Pensar a esperança (Março de 2022)
Falar de Gratidão em tempos de correria (Dezembro de 2021)
Comunidades Compassivas (Setembro de 2021)
Dar voz a quem cuida (Junho de 2021)
Damos-lhe as boas-vindas (Março de 2021)


Falar de gratidão em tempos de correria…

Parece ser cada vez mais popular a ideologia da felicidade em todos os planos da vida, o que paradoxalmente parece ser maior causa de frustração, tristeza e infelicidade.
Porque a felicidade enquanto idealização, como conceito abstrato, nos torna mais infelizes, porque a apologia da felicidade a todo o custo nos faz sentir a todos culpados ou defraudados, incapazes de perceber a realidade no seu todo. Como alguns dizem, vivemos sob a “tirania da felicidade”.
Todos temos os nossos momentos altos e outros baixos. E são tantas as situações em que parece que andamos zangados ou aborrecidos por aquilo que ainda não temos, que passamos demasiado tempo a escrever no “Livro de Reclamações” da vida.

Talvez devêssemos pensar mais na alegria de viver e na simplicidade de vida, porque elas têm raízes no quotidiano; e fazer delas uma escolha, uma prática, um estilo… um caminho humilde, concreto, enraizado, liberto da fantasiosa ideologia da felicidade.
Esta mudança de olhar chama-se gratidão: uma mudança de olhar que exige um sair de nós mesmos, um caminho, já que o sentido maior e mais real da gratidão é o futuro, a vida que se multiplica e se dá em abundância, o aceitar a responsabilidade de gerar mais vida.

Precisamos, provavelmente, de uma profunda reeducação do nosso olhar, que o torne capaz de descortinar o sentido da vida e do que nela se passa e experimenta; parece que todo o mal nos salta aos olhos e prende a nossa atenção, provocando por isso uma verdadeira prisão do espírito. E como o que pensamos se torna a nossa realidade, o mergulho no patológico embebe a nossa experiência de negrura e solidão.
Julgamos todo o bem que nos acontece como uma pura banalidade, sem valor, olhando-o do alto do nosso direito individual como algo que nos é devido em permanência. E isso impede-nos de vivenciar os milagres que se multiplicam diante de nós e para nós em cada instante, ficando de fora da experiência transformadora que a gratidão é capaz de gerar como turbilhão regenerador de vida.

A vida é em si mesma excedência, excessiva… e a porta de entrada da comunhão com esta dimensão é a gratidão. Escolher fixar o olhar desde o início do dia naquilo que é realidade boa, que cimenta sonho e promessa de mais vida. Esta reorientação do olhar traz consigo mudanças neurofisiológicas profundas, que promovem uma autêntica “lavagem cerebral” orgânica, limpando-nos de todo o negativismo e de toda a obsessão pelo que pode estar mal…
Manter acordado este mecanismo que permite discernir o que é bom no que acontece e se torna patente e de adivinhar e acreditar no que é bom em tudo o que está latente e ainda em germe, é uma escolha e um caminho. Mas é a via exclusiva para a única felicidade real, aqui e agora. Dar a si mesmo a permissão de usufruir de reais momentos de gozo, contentamento, alegria e beatitude que, ao pontearem o nosso dia e a nossa vida fazem da felicidade uma experiência bem real e concreta, tangível e imanente.
Não é uma técnica nem uma disciplina: é um modo de viver. O melhor modo de viver.